Quinta-feira, 29 de Junho de 2006

PENA SUSPENSA

Se há algo que já começo a considerar irritante, talvez até mais do que ficar sem papel higiénico e não ter outro rolo de reserva, são os e-mails em cadeia. Sou constantemente fuzilado com estas "prendas". À primeira vista parecem completamente inocentes, mas um olhar mais cuidado revela que algo de pérfido se esconde neste sistema...

Há que admitir, o esquema é bem montado, senão atentem no seguinte:

Passo 1 - A abertura. Começam sempre por algo que é universalmente aceite, como "Os amigos são como as estrelas no céu", "O amor move montanhas", ou "Os supusitórios enfiam-se no cú"...

Passo 2 - Depois, enquanto saltamos alegremente de slide em slide, quase sempre pensamos uma de duas coisas:
  1. "Oh, mas que querido(a) que foi em se ter lembrado de mim!".
  2. "Oh que car...!".
Passo 3 - A tacada emocional. Esta é a parte em que porventura começará a ceder ao encanto do esquema, que é quando lê algo do estilo "Este e-mail significa o quanto você é importante para o(a) nheca nheca que se lembrou de você". Subitamente uma aura de ternura invade o seu ser e, mesmo que tímido, esboça um sorriso;

Passo 4 - O compromisso. Aqui, amigo leitor, acabou. Uma vez aqui chegado, a sua vida muda drasticamente, e vê-se confrontado com uma série de decisões. Vejamos:
  1. Ou tem os e-mails de meio-mundo e é feliz para sempre, terá muitos amigos, o seu grande desejo concretiza-se, e o seu ordenado aumenta;
  2. Ainda não tem muitos contactos, e por isso terá de se contentar com um utilitário, a progressão na carreira congelada, e o aumento da gasolina;
  3. Não manda a mensagem a ninguém, e fica eternamente na dúvida se a sua cara-metade não o(a) consegue levar a atingir o orgasmo porque não mandou a porra do e-mail...
Ora, como "se não podes vencê-los, junta-te a eles", também eu vou fazer um e-mail deste género. E até já tenho o esboço!! Será algo como "Este é o e-mail em cadeia danoninho. Se o recebeste é porque alguém pensou que algo em ti precisava de crescer. Por cada pessoa a quem enviares este e-mail, crescerás um bocadinho assim [       ]".

...
Uhuhuh, vai ser um sucesso!!!

Grizo.
sinto-me: Turururururu
Bico feito por bicodobra às 11:07

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Domingo, 25 de Junho de 2006

TRULY, MADLY, DEEPLY!

Há textos que funcionam verdadeiramente em espelho. Com este, a identificação foi instantânea. E por sorte minha, descobri-o num blog que é o meu mais recente vício - http://paradoxar.blogspot.com/ - escrito por alguém que é sem dúvida alguma possuidora de uma incrível genuídade e sensibilidade, a nossa colega blogger AMMEDEIROS.

"Quero fazer o elogio do amor puro.

Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".

O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.

O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade.
É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal.
Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber.
É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.

Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.

A vida dura a vida inteira, o amor não.

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


Miguel Esteves Cardoso (Jornal Expresso, Sexta, 16 Set 2005).

 

Porra Miguel, obrigado! È isso mesmo. Tudo!

 

Grizo.

sinto-me: Extasiado
Who cares?:
Bico feito por bicodobra às 17:13

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Terça-feira, 20 de Junho de 2006

OK KO!

Certo dia num jantar de aniversário de um bom amigo, num restaurante bueda bueda longe, criou-se um ambiente interessante. Malta da mesma empresa, os restantes eram colegas de curso, e tinhamos ainda os respectivos das respectivas e as respectivas dos repectivos.

Depois dos ditos atrasos, apresentações e conversas sobre como está a decorrer o trabalho uns dos outros, entrámos na "tenebrosa" esfera pessoal. Reparei, e não pude deixar de me intrometer na conversa, introduzindo a seguinte temática: Num namoro, temporalmente, quais são os períodos de crise?!?

Antes demais, será que pudemos estandardizar assim as coisas? Dúvido muito, cada pessoa passa por experiências por demais diferentes. For whom it may concern, aqui fica o resto da dita cuja, após um pequeno interregno para uma reflexão.

A primeira interveniente começou por dizer num tom algo divertido (de Who cares?) que a cada 6 meses ou 2 anos tinha crises afectivas. Acho que ela estava a sorrir porque era sempre com a mesma pessoa (mais palavras para quê, weird!). O segundo disse num tom convicto que era ao fim de dois anos, apesar de que pelo ar eu diria que para ele não deve durar mais do que duas semanas, por ser lamechas e ocupar demasiado do seu precioso tempo.

No casal ao meu lado, as opiniões dividiam-se. A respectiva achava que era aos 3 anos (a mim pareceu-me mais ruptura do que crise), porque era o exemplo que tinha mais fresco na sua mente. O respectivo foi a primeira pessoa a concordar comigo, isto sem ter ouvido o que eu tinha dito, mas já lá vamos (eventualmente não interessa para nada).

O que reti das mais diversas experiências partilhadas naquela mesa de jantar, foi o seguinte:

1 - O conservatório do registo civil deve aumentar as suas instalações, porque os divórcios só têm tendência a aumentar;

2 - A Igreja Católica deve começar a investir em Marketing Casamenteiro, tendo como mascote o Santo António;

3 - O negócio de festas para celebrar divórcios é um bom investimento para uma start-up, pois nos próximos anos vai dar bastante dinheiro (para se diferenciarem dos demais arranjem algumas variações, tipo rachar a cabeça do ex-marido(a).

Apercebi-me que ninguém confia em ninguém, todos elevam as suas defesas cada vez mais alto e intransponíveis. Assim não é amar. Estará o amor fora de moda?!? Não, nunca está. Nós é que desapredemos a amar. OK KO!

Mercador
sinto-me: OK KO
Who cares?:
Bico feito por bicodobra às 09:33

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